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Airbnb em condomínios exige aprovação dos condôminos

Foto do escritor: Carlos Alberto
Carlos Alberto
28 de jul.
3 min de leitura

O uso de imóveis residenciais em condomínios para estadias de curta duração, como as oferecidas por plataformas digitais tipo Airbnb, tem gerado debates e conflitos entre moradores, proprietários e investidores. Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) definiu que esse tipo de uso depende de aprovação em assembleia por, no mínimo, dois terços dos condôminos. Essa decisão traz mais clareza e segurança jurídica para todos os envolvidos, mas também reforça a importância de respeitar a finalidade residencial dos empreendimentos.




O que motivou a decisão do STJ


A Segunda Seção do STJ analisou um recurso especial (REsp 2.121.055) que discutia a possibilidade de uso de unidades residenciais para locações de curta duração. O tribunal entendeu que esse tipo de utilização pode descaracterizar a finalidade residencial do imóvel. Isso acontece porque a rotatividade de pessoas aumenta significativamente, o que pode afetar a segurança, o sossego e a rotina dos moradores.


Além disso, o uso para estadias temporárias pode gerar problemas como:


  • Maior circulação de estranhos no condomínio

  • Dificuldade no controle de acesso e segurança

  • Ruídos e perturbações frequentes

  • Desgaste das áreas comuns devido ao uso intenso


Por isso, o STJ reforçou que a convenção condominial e as regras do Código Civil devem ser respeitadas para manter a harmonia e o propósito original do condomínio.


O que diz a regra dos dois terços


A decisão do STJ determina que a aprovação para permitir o uso de imóveis para estadias de curta duração deve ser feita em assembleia geral, com o voto favorável de pelo menos dois terços dos condôminos. Essa regra tem como objetivo garantir que a maioria dos moradores concorde com essa mudança no uso das unidades.


Esse quórum qualificado protege os interesses coletivos, evitando que uma minoria decida por todos, especialmente quando a alteração pode impactar diretamente a qualidade de vida no condomínio.


Impactos para proprietários e investidores


Para quem investe em imóveis residenciais pensando em alugar por meio de plataformas digitais, a decisão do STJ traz um alerta importante. Antes de iniciar esse tipo de atividade, é fundamental verificar a convenção do condomínio e buscar a aprovação dos condôminos.


Sem essa autorização, o proprietário pode enfrentar:


  • Multas aplicadas pelo condomínio

  • Ações judiciais para cessar a atividade

  • Perda de direitos relacionados ao imóvel


Por outro lado, com a aprovação formal, o investidor ganha segurança jurídica para explorar o imóvel dentro das regras estabelecidas, o que pode evitar conflitos e prejuízos futuros.


Como os condomínios podem se organizar


Os síndicos e conselhos podem usar essa decisão para orientar os moradores e definir regras claras sobre o uso das unidades para estadias temporárias. Algumas medidas práticas incluem:


  • Realizar assembleias para discutir o tema e votar a autorização

  • Atualizar a convenção condominial para incluir regras específicas

  • Estabelecer normas para controle de acesso e segurança dos hóspedes

  • Definir limites para o número de dias ou frequência das locações

  • Criar um cadastro de locatários temporários para monitoramento


Essas ações ajudam a manter o equilíbrio entre o direito dos proprietários e o bem-estar dos demais moradores.


Vista frontal de entrada de condomínio residencial com portaria e segurança
Entrada principal de condomínio residencial com portaria e sistema de segurança

O que os moradores devem saber


Quem mora em condomínios onde há imóveis usados para Airbnb ou outras plataformas deve estar atento aos impactos que isso pode causar. A decisão do STJ garante que os moradores tenham voz ativa para aprovar ou não essa prática.


É importante que os condôminos:


  • Participem das assembleias para discutir o tema

  • Conheçam a convenção condominial e as regras internas

  • Reportem irregularidades à administração do condomínio

  • Busquem diálogo para resolver conflitos de forma pacífica


Assim, todos colaboram para um ambiente mais seguro e tranquilo.


Considerações finais


A definição do STJ sobre o uso de imóveis residenciais para estadias de curta duração em condomínios traz mais clareza e equilíbrio para uma questão que afeta diretamente a convivência entre moradores, proprietários e investidores. A exigência de aprovação por dois terços dos condôminos reforça o respeito à finalidade residencial e protege a qualidade de vida no condomínio.


Se você é proprietário interessado em alugar seu imóvel por plataformas digitais, consulte a convenção do seu condomínio e participe das assembleias. Para moradores, a recomendação é acompanhar as decisões e garantir que as regras sejam cumpridas.


Essa decisão é um passo importante para que o uso dos imóveis seja feito de forma responsável, respeitando os direitos e deveres de todos os envolvidos.


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